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| Hoje, pais têm medo da cara feia dos filhos |
UOL
Mais do que respeitar os filhos, pais devem educá-los. No "Momento Família", desta terça-feira, a psicóloga Rosely Sayão retomou o tema de que diário pode ser lição de privacidade.
No último programa, ela disse o seguinte: "é comum as adolescentes escreverem um diário. Se a mãe encontra o diário largado em qualquer lugar, tem que ler para dizer à filha que, se ela quer ter intimidade, deve saber cuidar dela. Que guarde o diário num lugar que só ela saiba".
Rosely explicou que, ao deixar o "diário largado", ou o filho está pedindo ajuda ou falta educação. "Os pais não podem esquecer que mais do que respeitar seus filhos, eles precisam educá-los. E privacidade é algo que se ensina a ter. Quando o filho deixa o diário, que não quer que ninguém manuseie, no espaço comum da casa, os pais devem pegar, sim, porque ele precisa sentir que cada ato tem uma conseqüência."
A psicóloga lembra que é melhor o adolescente sofrer agora, sob a tutela dos pais, do que já adultos. Mas destaca que os pais devem ficar atentos para entender se aquele "diário largado" não é um pedido de ajuda. "Às vezes, os jovens precisam de um socorro de um adulto, mas não sabem como pedir. Para quem já sabe guardar o diário e deixou o mesmo lá, dando sopa, talvez seja uma maneira de pedir ajuda. É preciso analisar."
Nem cá, nem lá
Respondendo a perguntas dos internautas, durante o bate-papo (leia a íntegra do bate-papo), Rosely defendeu ainda que os pais não devem aceitar tudo que os filhos fazem. "Eu sou da geração que a gente tinha medo da cara feia dos pais, porque significava que algo não estava certo. Hoje, boa parte dos pais tem medo da cara feia dos filhos."
Ela explicou que a rebeldia é um ato "absolutamente legítimo", mas não significa que o pai tem de acatar. "Qual o problema da rebeldia? Ela é salutar, é o sinal de que o jovem está começando a pensar diferente dos pais. Mas, se o jovem anula os pais com a sua rebeldia, isso não é bom. Nem cá, nem lá."
Autismo e inclusão
Rosely comentou também que a convivência de autistas com outras crianças é saudável e responsabilidade de toda sociedade civil colaborar para que haja essa inclusão. "Sem dúvida, a inclusão é uma das questões mais democráticas que temos hoje na escola. Mas cada aluno deve ser incluído, como os hiperativos e tímidos, não apenas as crianças com necessidades especiais."
Ela destacou apenas que a inclusão não pode ser feita pela escola como se fosse coração de mãe: sempre cabe mais um. "Para fazer uma inclusão responsável, é preciso que a escola tenha um certo aparato, que tenha uma equipe que possa ajudar."
Racismo
Uma internauta, que preferiu não se identificar, enviou o seguinte email para a produção do UOL News: "Já sou morena e estou queimada de Sol. Clareei os pêlos da perna e agora meu marido me chama de mico-leão-dourado, não com ternura, mas na frente de todos. Me sinto ofendida. O que fazer?"
Rosely foi clara ao responder esta dúvida: "diga eu não quero ser chamada assim, mas com firmeza. Quando alguém te chamar desta forma, não ouça. Não precisa ficar emburrada. Esta é a melhor maneira de lidar com estas questões sem aquelas crises histéricas." |
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