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| Para alguns viverem nababescamente, outros vivem em condições sub-humanas |
Silas Gehring Cardoso - Ajori - 033
Se de um lado o trabalho jornalístico é cercado de muitas dificuldades e contratempos, de outro, traz, como compensação, excelentes oportunidades de conhecer o que se passa na sociedade e avaliar o comportamento das pessoas, ainda que grande parte desse material não possa ser divulgado. A realidade de nossa sociedade é marcada por contrastes gritantes. Visitar com freqüência a periferia e locais de maior privação, ajuda muito a desenvolver e aguçar a sensibilidade e percepção da realidade. A exploração do homem pelo homem, por meios sutis, é ainda brutal. Para uns viverem nababescamente, outros estão vivendo em condições sub-humanas e muitas vezes passando fome em silêncio, para fugir de constrangimentos diante de vizinhos e conhecidos. De outro lado existem pessoas, em todos os ramos de atividade, que exibindo lamentáveis demonstrações de insensibilidade, são parcialmente responsáveis, pelo individualismo e materialismo que marcam todas as suas iniciativas. Buscam o sucesso financeiro e a projeção social pelo caminho errado, isto é, pela exploração direta ou indireta dos seus semelhantes. O exemplo clássico disso é representado por instituições bancárias que sugam o sangue do povo com juros extorsivos. Mas existem muitos outros exemplos similares em menor escala, de busca exclusiva dos interesses individuais, sem qualquer preocupação com o sofrimento alheio. Buscam o que poderia ser chamado de "coroa do triunfo financeiro" ou "coroa do triunfo social". Na corrida para esse objetivo, não se importam em destruir os sonhos alheios e a enterrar esperanças dos outros.
É oportuna a lembrança da postura do Mestre Jesus, que aceitou sem revolta a coroa de espinhos, narrada no Evangelho de Marcos. Com essa atitude, ele mostrou que aceitava uma jornada de sacrifícios, para os benefício alheio. Hoje, pouquíssimos são aqueles capazes de um pequeno sacrifício, mesmo em suas horas de folga, em benefício dos outros. Com isso, nossa sociedade se embrutece, se não houver um incessante trabalho de conscientização, que venha, pelo menos um pouco, despertar as consciências muitas vezes anestesiadas pela busca das vantagens e das posições sociais. |
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